A Iskra · Volume 2 · Agosto de 2026
Liderança mantida, vantagem comprimida
Pesquisas, agendas, crises digitais e o novo cenário de alcance nas redes na primeira semana de campanha oficial
41% · 39%
Lula no 1º turno, BTG/Nexus e Datafolha
5 a 6 p.p.
Vantagem de Lula sobre Flávio no 1º turno
47% · 44%
Empate técnico no 2º turno
6
Candidaturas monitoradas nesta edição

Sobre esta edição
Apresentação
A primeira semana completa da campanha oficial preservou Lula na liderança, aproximou Flávio Bolsonaro e revelou uma disputa formada por territórios e grupos sociais muito diferentes. Esta edição cruza pesquisas, agendas, crises digitais, o novo cenário de alcance nas redes e as escolhas de exposição que conduziram a campanha até o primeiro debate da temporada.
A leitura da semana está organizada em seis frentes. O Radar de Pesquisas mede a distância entre os líderes, território por território e grupo social por grupo social, e traz a primeira leitura de aprovação de governo e rejeição pessoal da série. O Trendômetro acompanha agendas, crises e a mudança regulatória que já reduz o alcance orgânico das campanhas, além do debate disputado sem os dois favoritos. A Caixa de Ferramentas propõe um método para separar voto, atenção e conversão, e o Melhor e Pior da Semana julga a comunicação, nunca a candidatura inteira.
O fim de semana trouxe o primeiro teste de palco da corrida, o debate da Band, disputado sem Lula e Flávio. Os próximos dias reservam as entrevistas dos dois líderes na televisão aberta, quando ambas as campanhas vão decidir, à luz das pesquisas seguintes, se mantêm a estratégia de evitar o confronto direto com o restante do campo.
Nossa leitura evita dois exageros: tratar um empate técnico como sentença e tratar uma vantagem estável como garantia. Cada capítulo desta edição cruza pesquisa, agenda e comportamento digital para mostrar não só quem lidera hoje, mas o que precisaria mudar para que a corrida mude de fato nas próximas semanas.
Leitura central
O tabuleiro segue polarizado, mas a vantagem do líder está mais estreita e o voto fora dos dois polos permanece vulnerável à migração. A semana também trouxe uma mudança regulatória que reduz o alcance orgânico das campanhas nas redes, tema que ganha página própria nesta edição.
01 · Resumo da semana
A primeira semana útil de campanha confirmou uma corrida nacional polarizada
A primeira semana completa da campanha oficial terminou com Lula na liderança e Flávio Bolsonaro mais perto. A BTG/Nexus, publicada em 17 de agosto, registrou 41% para Lula e 36% para Flávio no primeiro turno. Quatro dias depois, o Datafolha apontou 39% e 33%. Os levantamentos usam métodos e períodos de campo diferentes, porém contam a mesma história política: a corrida começou concentrada nos dois polos, que reúnem entre 72% e 77% das respostas estimuladas.
A vantagem de Lula segue fora da margem de erro no primeiro turno, ainda que tenha perdido folga na série do Datafolha. Desde junho, o presidente passou de 41% para 40% e 39%. Flávio percorreu o caminho inverso, de 31% para 32% e 33%. Nenhum desses movimentos, isolado, comprova mudança de tendência — a sequência, porém, reduziu a distância de dez para seis pontos e acendeu um alerta na campanha governista. Na BTG/Nexus, os dois avançaram um ponto, e a diferença seguiu em cinco.
A disputa nas ruas ganhou companhia nas redes. As crises envolvendo Lulinha e o filme Dark Horse atravessaram a abertura da campanha e obrigaram os dois favoritos a dividir a agenda planejada com respostas defensivas. O volume de menções mostra a força da repercussão; a consequência eleitoral vai depender da duração de cada assunto, do surgimento de fatos novos e da qualidade das respostas — o detalhamento completo está no Trendômetro desta edição.
Somadas, essas peças descrevem um cenário de vantagem real, mas não confortável. Lula parte à frente em todos os cenários medidos nesta rodada, só que a diferença já não tem a folga observada no início da pré-campanha. Cada pesquisa nova deve ser lida como uma fotografia de um processo em movimento, não como veredito antecipado sobre o resultado de outubro.
As páginas seguintes detalham essa disputa por território, por perfil de eleitor e por agenda de campanha, examinam como as crises da semana se comportaram nas redes e explicam o que a nova restrição de alcance orgânico significa para as próximas rodadas de comunicação digital.
02 · Radar de pesquisas
Os institutos convergem na ordem e divergem no tamanho da vantagem
Primeiro turno · principal cenário estimulado
| Instituto | Lula | Flávio | Caiado | Renan | Zema |
|---|---|---|---|---|---|
| BTG/Nexus · 17/8 | 41% | 36% | 5% | 4% | 4% |
| Datafolha · 21/8 | 39% | 33% | 5% | 4% | 3% |
Composição · BTG/Nexus
Lula aparece entre 39% e 41%, Flávio varia de 33% a 36%, e a soma dos dois alcança 72% no Datafolha e 77% na BTG/Nexus. Caiado marca 5% nos dois levantamentos, Renan registra 4% e Zema oscila entre 3% e 4%. As diferenças refletem fotografias produzidas por métodos e períodos de campo próprios — a tendência deve ser acompanhada dentro da série histórica de cada instituto, não pela comparação direta entre eles. A estabilidade dos candidatos menores nas duas rodadas confirma que a atenção do eleitorado ainda está concentrada no confronto entre os dois líderes.
BTG/Nexus, 2.003 entrevistas por telefone, de 14 a 16 de agosto, margem de erro de 2 pontos percentuais, 95% de confiança, registro BR-03317/2026. Datafolha, 2.058 entrevistas presenciais, entre 18 e 21 de agosto, margem de erro de 2 pontos percentuais, 95% de confiança, registro BR-04496/2026, pesquisa encomendada por Folha de S.Paulo e TV Globo.
Leitura comparada
Os dois levantamentos concordam na estrutura da corrida: Lula na liderança, Flávio como único adversário acima de 30% e as demais candidaturas reunidas numa faixa estreita. Divergem no tamanho da distância entre os líderes, que varia de cinco a seis pontos — diferença que pode nascer do método de entrevista, do período de campo ou da forma de aplicação do questionário, e que só se confirma como tendência se repetir na série de cada instituto.
Cinco territórios revelam cinco eleições diferentes
Quando o resultado nacional é aberto por território, a eleição muda de feição. Flávio encontra seus melhores ambientes em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal; Lula conserva vantagem estreita em Minas Gerais e abre larga distância em Pernambuco — geografia que explica boa parte das agendas da semana.
| Território | Primeiro turno | Segundo turno | Leitura |
|---|---|---|---|
| São Paulo | Flávio 35% · Lula 34% | Flávio 47% · Lula 42% | Equilíbrio na largada e vantagem de Flávio no confronto direto |
| Rio de Janeiro | não medido | Flávio 49% · Lula 40% | O estado funciona como principal reserva eleitoral de Flávio |
| Minas Gerais | Lula 36% · Flávio 31% | Lula 46% · Flávio 42% | Lula lidera, ainda dentro de uma disputa apertada |
| Pernambuco | não medido | Lula 62% · Flávio 29% | A vantagem de Lula compensa parte das perdas no Sudeste |
| Distrito Federal | não medido | Flávio 51% · Lula 39% | Flávio consolida o eleitorado mais identificado com a direita |
Fonte Datafolha, levantamentos estaduais realizados entre 18 e 21 de agosto, margens de erro entre 2 e 3 pontos conforme o território.
Consequência estratégica. Lula tenta conter o avanço de Flávio em São Paulo e no Rio sem tirar energia do Nordeste, onde já lidera por 31 pontos. Flávio busca transformar sua força no Sudeste em presença nacional, o que exige reduzir a rejeição nos grupos em que o lulismo combina identidade regional, baixa renda e memória de políticas sociais — combinação detalhada na próxima página.
O contraste entre Sudeste e Nordeste explica por que nenhuma campanha trata a semana como decidida: se Lula perdesse em Pernambuco na proporção em que perde no Sudeste, ou se Flávio replicasse no Nordeste o resultado do Distrito Federal, a distância nacional mudaria de patamar — por isso ambos priorizam, por ora, defender o próprio território.
O eixo que pode definir a margem
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro formam os três maiores colégios eleitorais do país. Lula precisa conter derrotas largas em São Paulo e no Rio; Minas oferece uma vantagem pequena, mas suficiente para impedir que Flávio apresente o Sudeste como bloco inteiramente favorável.
Quem sustenta Lula e quem impulsiona Flávio
| Segmento | Lula | Flávio | Vantagem |
|---|---|---|---|
| Mulheres | 51% | 38% | Lula · 13 pontos |
| Homens | 43% | 48% | Flávio · 5 pontos |
| Eleitores negros | 55% | 37% | Lula · 18 pontos |
| Católicos | 54% | 36% | Lula · 18 pontos |
| Evangélicos | 29% | 62% | Flávio · 33 pontos |
| Renda até 2 salários | 55% | 35% | Lula · 20 pontos |
| Renda acima de 5 salários | 39% | 54% | Flávio · 15 pontos |
| Nordeste | 61% | 30% | Lula · 31 pontos |
| Sul | 38% | 50% | Flávio · 12 pontos |
A diferença mais profunda aparece na religião: Flávio abre 33 pontos entre os evangélicos, enquanto Lula lidera por dezoito entre os católicos. A renda reforça a separação — o presidente tem vinte pontos de vantagem entre quem recebe até dois salários mínimos, e o candidato do PL lidera por quinze na faixa acima de cinco. O mapa regional completa o desenho, com 31 pontos para Lula no Nordeste e doze para Flávio no Sul.
Esses recortes ajudam a entender onde cada mensagem encontra adesão e onde enfrenta resistência. Para crescer, Lula depende de converter sua força entre mulheres, população negra e eleitores de baixa renda em comparecimento efetivo, sem abrir mão de respostas convincentes sobre segurança e custo de vida. Flávio, por sua vez, tem de dialogar com eleitoras, católicos e trabalhadores de menor renda sem afastar a base evangélica e conservadora que hoje sustenta seu crescimento. O segundo turno será decidido por essa capacidade de atravessar fronteiras sociais.
Fonte Datafolha, confronto de segundo turno, 2.058 entrevistas, margem geral de 2 pontos percentuais. As margens por segmento variam conforme o tamanho de cada grupo — recortes mais finos, como evangélicos de renda alta, carregam margens sensivelmente maiores do que a margem geral da amostra.
O centro da disputa
O eleitor decisivo não forma um grupo único: pode ser uma mulher preocupada com segurança, um trabalhador evangélico sensível ao custo de vida ou um eleitor do Sudeste sem identificação partidária. A comunicação que tratar esses públicos como blocos fechados perde a chance de construir pontes entre valores, problemas cotidianos e decisão de voto.
A vantagem encolheu e o segundo turno continua aberto
| Instituto | Lula | Flávio | Indec. / br. / nulos | Situação |
|---|---|---|---|---|
| Datafolha | 47% | 43% | 10% | Empate técnico |
| BTG/Nexus | 47% | 44% | 9% | Empate técnico |
No confronto direto de segundo turno, a BTG/Nexus repetiu o placar de 47% a 44% da rodada anterior, e o Datafolha registrou 47% a 43%; com margem de erro de dois pontos, os dois levantamentos descrevem empate técnico. O sinal mais confiável está nas séries de primeiro turno: na BTG/Nexus, a intenção de voto de Lula foi de 40% para 41% e a de Flávio, de 35% para 36%, entre 10 e 17 de agosto, mantendo cinco pontos de distância; no Datafolha, desde junho, Lula caiu de 41% para 39% e Flávio subiu de 31% para 33%, comprimindo a diferença de dez para seis pontos. Em ambos os institutos, indecisos, brancos e nulos somam cerca de um décimo do eleitorado.
38%
Aprovam o governo Lula, Datafolha
39%
Rejeição pessoal de Lula, BTG/Nexus
41%
Rejeição pessoal de Flávio, BTG/Nexus
Esta é a primeira leitura de aprovação de governo e rejeição publicada na série: o governo Lula é avaliado como ótimo ou bom por 38%, regular por 33%, ruim ou péssimo por 27% e 2% não souberam responder; na rejeição pessoal, os dois líderes aparecem próximos, 39% para Lula e 41% para Flávio, sinal de desgaste simétrico da polarização. Na BTG/Nexus, 78% do eleitorado já declara voto consolidado — 86% entre eleitores de Lula e 82% entre os de Flávio —, contra 22% ainda em aberto; no Datafolha, os não alinhados somam 24% da amostra, e 49% desse grupo admite mudar de voto.
Caiado, Renan e Zema correm contra o tempo para converter exposição em apoio estável antes que o voto útil reduza seu espaço no segundo turno. Um empate técnico não significa ausência de sinal — significa que a diferença ainda cabe no acaso amostral, e é por isso que a leitura de série pesa mais do que qualquer foto isolada. O critério mais confiável continua sendo a direção repetida em rodadas sucessivas do mesmo instituto, o padrão que aproximou Flávio de Lula desde junho e que deve orientar a leitura das próximas semanas.
Fonte Datafolha e BTG/Nexus, confronto de segundo turno e leitura de aprovação de governo e rejeição pessoal, mesmas rodadas e registros da seção anterior.
O que pode romper o empate
Aprovação de governo, rejeição pessoal e o volume de voto ainda não consolidado formam o conjunto mais provável de antecipar o próximo movimento — mais do que a fotografia isolada do confronto direto.
03 · Trendômetro · Território e palanque
A campanha saiu às ruas com estratégias diferentes
A agenda dos presidenciáveis revelou prioridades distintas. Lula percorreu quatro estados e articulou compromissos institucionais com atos eleitorais. Flávio concentrou-se no eixo Rio–São Paulo, alternando mobilização de base, periferia urbana, segurança pública e agronegócio. Caiado buscou o interior paulista e o setor produtivo. Renan Santos priorizou ações urbanas em territórios populares. Zema combinou contato com comerciantes e produção digital. Augusto Cury investiu em sabatinas e compromissos de menor escala.
| Candidatura | Agenda da largada e da semana | Leitura estratégica |
|---|---|---|
| Lula | São Bernardo do Campo, Iperó, Natal, Governador Valadares, Belo Horizonte, Bangu, no Rio | Biografia, entregas de governo e alianças locais nos três maiores colégios eleitorais e no Nordeste |
| Flávio | Copacabana, São Miguel Paulista, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Maracanãzinho, Barretos | Consolidação da direita no Rio e em São Paulo, com segurança, periferia, agro e legado Bolsonaro |
| Caiado | Brasília, Mercado Municipal de São Paulo, Araçatuba, Limeira, Campinas, entrevistas e encontros com o agro | Busca credencial administrativa e produtiva para disputar a direita fora do bolsonarismo |
| Renan Santos | Sabatina, Maceió, panfletagem em São Paulo, Canal da Favela do Mundaú, Jardim Panorama | Agenda de guerrilha voltada à circulação digital e à apresentação fora de sua base original |
| Zema | Sabatina, comerciantes da Rua 25 de Março, encontro com aposentados, peças digitais com IA | Associa liberalismo econômico, oposição ao PT e confronto com o STF |
| Augusto Cury | Sabatina no SBT News, seminário nacional em São Paulo, produção de conteúdo | Aposta no reconhecimento pessoal e na exposição televisiva para construir identidade eleitoral |
A agenda não mede, isoladamente, capacidade eleitoral. Seu valor está na coerência entre território, público, tema e objetivo: uma visita rende pouco quando serve apenas como registro, e ganha força quando aciona aliados, produz uma imagem reconhecível, oferece conteúdo para as redes e responde a uma fragilidade apontada pelas pesquisas.
A tabela inclui os atos de lançamento realizados no dia 16 apenas como ponto de partida narrativo. A análise principal acompanha os compromissos de 17 a 23 de agosto e observa como cada candidatura desenvolveu, ao longo da semana, a mensagem apresentada na largada.
Lula foi aos territórios em que precisa defender ou recuperar votos
4
Estados percorridos
3 maiores
Colégios eleitorais visitados
1
Passagem pelo Nordeste
O lançamento em São Bernardo do Campo recuperou a origem sindical de Lula e ofereceu uma imagem biográfica de fácil reconhecimento. A agenda seguinte ampliou o repertório: em Iperó, a visita ao programa nuclear da Marinha associou governo, soberania e tecnologia; em Natal, o anúncio de um supercomputador e o ato com aliados locais conectaram entrega institucional, desenvolvimento regional e mobilização política.
Na sequência, o presidente esteve em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Em Governador Valadares, visitou obras; em Belo Horizonte, participou do ato de campanha de Patrus Ananias. No Rio, dividiu o palco com Eduardo Paes, Benedita da Silva e Pedro Paulo e levou a segurança pública para o centro do discurso. Em uma única semana, percorreu os três maiores colégios eleitorais do país e reforçou sua presença no Nordeste.
Há também uma lógica de palanque: o presidente vinculou sua imagem a candidaturas estaduais capazes de organizar campanha, produzir agenda e transferir capilaridade. Essa integração fortalece a presença territorial, mas traz riscos. No Rio, o veto à candidatura do PSOL no palco gerou ruído dentro do campo aliado; em Minas, o desempenho ainda modesto de Patrus Ananias nas pesquisas limita a força de sustentação local.
A escolha dos palcos dialoga com o retrato revelado pelas pesquisas. Governador Valadares e Belo Horizonte reforçam Minas Gerais, estado em que a vantagem é estreita demais para se abrir mão dela. A passagem pelo Rio busca conter uma desvantagem já registrada nos levantamentos estaduais. Já a presença constante no Nordeste, onde a distância chega a 31 pontos, funciona menos como conquista de voto novo e mais como manutenção de uma base que precisa continuar comparecendo às urnas em outubro.
Próximo desafio
A agenda precisa demonstrar continuidade entre entrega de governo e proposta eleitoral. Se cada estado receber apenas uma mensagem circunstancial, a campanha vai produzir boas imagens sem consolidar uma narrativa nacional.
Flávio protege o núcleo eleitoral enquanto prepara uma exposição nacional mais controlada
2
Estados concentram quase toda a agenda
4
Públicos centrais mobilizados
0
Passagens pelo Nordeste
Flávio Bolsonaro iniciou a campanha em Copacabana e manteve a maior parte da agenda no Rio de Janeiro e em São Paulo. Passou por São Miguel Paulista, realizou atos na Baixada Fluminense, lançou a candidatura de Douglas Ruas no Maracanãzinho e encerrou o sábado na Festa do Peão de Barretos. A sequência articula quatro públicos centrais: bolsonaristas já mobilizados, moradores de periferias, eleitores preocupados com segurança e o setor agropecuário.
A concentração no Sudeste acompanha a geografia mais favorável ao candidato — no Datafolha estadual, Flávio lidera Lula em São Paulo e no Rio, e a agenda busca transformar essa vantagem em hegemonia regional. A passagem pela Baixada e por São Miguel Paulista tenta ampliar o bolsonarismo além dos redutos de renda mais alta; Barretos reforça a ligação com o agro e com o repertório político de Jair Bolsonaro.
O limite está na pouca diversificação territorial: a primeira semana reforçou espaços em que Flávio já é competitivo, mas ofereceu poucos sinais de expansão para o Nordeste e para segmentos de maior resistência — entre as mulheres, Lula mantém treze pontos de vantagem, segundo o Datafolha. A ênfase em punição, confronto e frases como “em pé ou deitados” mobiliza homens e eleitores mais duros na pauta de segurança, mas corre o risco de ampliar a distância entre eleitoras e moderados.
A estratégia de exposição também é seletiva: antes do início da propaganda eleitoral, Flávio sinalizou que só participaria de debates com a presença de Lula — postura confirmada quando decidiu, junto com o adversário, não comparecer ao debate da Band, tratado adiante nesta edição. A entrevista após o Jornal Nacional oferece um ambiente mais previsível e sem confronto direto, o que protege sua liderança na direita, mas amplia a cobrança por respostas sobre Dark Horse, segurança, economia e a relação com o pai.
A semana das entrevistas
Entre 24 e 29 de agosto, as entrevistas conduzidas por César Tralli e Renata Vasconcellos serão exibidas após o Jornal Nacional, com transmissão também pelo g1, Globoplay e GloboNews. A ordem prevista é Zema, Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio e Augusto Cury. Para os candidatos menores, a faixa pode ampliar o conhecimento do próprio nome. Para Lula e Flávio, a prova estará em responder às crises sem produzir novos trechos negativos, já que os cortes decidem por quanto tempo cada resposta continuará circulando.
O tamanho do pico importa menos do que a capacidade da crise de se renovar
659,2 mil
Menções sobre Dark Horse em 24h
181 mil
Menções sobre Lulinha em 24h
68%
Dos posts sobre Lulinha eram negativos
Dark Horse e o caso Lulinha organizaram a conversa política da semana e obrigaram os dois favoritos a dividir a agenda planejada com respostas defensivas. Os números acima, medidos nas primeiras 24 horas, dimensionam a intensidade de cada repercussão, sem indicar automaticamente perda de votos — o dano eleitoral depende da duração do assunto, do surgimento de fatos novos e da capacidade de reforçar percepções anteriores sobre corrupção, governo ou caráter.
Lulinha apresenta maior risco de duração porque a cobertura foi alimentada por documentos, mensagens e novas informações da Polícia Federal. Como o campo do Datafolha coincidiu parcialmente com a revelação desses fatos novos, a rodada não permite isolar o impacto da crise; o efeito deve ser procurado nas próximas medidas de rejeição, avaliação de governo e volatilidade dos não alinhados. Dark Horse segue vulnerável por um motivo diferente: Flávio classificou o caso como “página virada”, mas evitou detalhar valores e destinação dos recursos quando questionado, deixando uma lacuna narrativa disponível aos adversários — a agenda de segurança em Barretos, por outro lado, recolocou o candidato em ambientes favoráveis e reduziu a centralidade do escândalo entre sua base.
A comparação entre as duas crises ganha uma camada adicional com a mudança no alcance orgânico das plataformas, detalhada na página seguinte. Com menos entrega automática para quem não segue os perfis oficiais, a repercussão de um escândalo passa a depender cada vez mais de como ele circula fora da conta do próprio candidato — em perfis de apoiadores, páginas de notícia e grupos de mensagens. Esse ambiente favorece crises com documentação concreta, como Lulinha, e reduz o alcance de crises sustentadas apenas por acusação retórica, como o bordão “nosso futuro é Suíça”, impulsionado pela direita e respondido pela esquerda com defesa institucional.
Indicador a observar
Esta edição já registra, na seção anterior, a primeira leitura de aprovação de governo e rejeição pessoal. Se alguma das duas crises estiver produzindo dano real, a próxima alteração tende a aparecer primeiro nesses dois indicadores e na volatilidade dos eleitores não alinhados — a intenção de voto costuma reagir depois.
O alcance orgânico perdeu uma de suas principais estradas
Marcello Natale chamou atenção nacional para uma mudança que altera a economia da campanha digital. O parágrafo primeiro A do artigo 28 da Resolução TSE 23.610, incluída pelo TSE em 2024, determina que plataformas com sistemas de recomendação excluam os canais e perfis oficiais informados à Justiça Eleitoral e, salvo impulsionamento legal, os conteúdos publicados por eles — a restrição atinge a descoberta algorítmica, a entrega a quem ainda não acompanha a conta. O conteúdo orgânico segue chegando aos seguidores e circulando por buscas, compartilhamentos e apoiadores.
A observação de Natale encontra respaldo no texto da resolução e na implementação relatada pela Meta: testes do Metrópoles mostraram recomendações ainda presentes no início da campanha, durante a transição, enquanto a empresa afirmava já adotar as medidas. Natale relata que o X também ajustou seu sistema, com quedas superiores a 80% na entrega para não seguidores em alguns perfis — o próprio autor reconhece que quatro dias não formam uma amostra nacional.
A consequência estratégica é direta: o tráfego pago deixa de ser um reforço e passa a integrar a infraestrutura de distribuição, aumentando a disputa pelos mesmos públicos e pressionando o custo das impressões nos territórios mais competitivos. A criatividade segue decisiva — o conteúdo ainda circula por apoiadores, influenciadores, imprensa e WhatsApp —, mas em 2026 publicar é só o começo.
WhatsApp · Palver
Instagram · Palver
Na largada, Lula concentrou 63% das menções no WhatsApp e 57% no Instagram, contra pouco mais de um quarto de Flávio em cada rede — vantagem que a restrição de alcance orgânico torna mais difícil de repetir sem impulsionamento pago.
| Mudança | Resposta estratégica |
|---|---|
| Menos descoberta automática | Planejar impulsionamento legal por território, público, objetivo e etapa do funil |
| Maior disputa por impressões | Testar criativos, controlar frequência, acompanhar CPM e realocar orçamento com rapidez |
| Mais valor para a base | Organizar apoiadores, influenciadores, grupos e comunidades capazes de redistribuir a mensagem |
Fontes: Resolução TSE 23.610/2024; Marcello Natale, 19 de agosto; apuração de Demétrio Vecchioli no Metrópoles; monitoramento do Palver na largada.
Sem Lula e Flávio, o debate virou vitrine para quem ainda corre atrás de espaço
| Candidatura | Panorama da semana | Próximo passo |
|---|---|---|
| Caiado · PSD | Agenda com o agro reforçou sua credencial temática; aliança com Kassab dá estrutura. Permaneceu em 5% e foi atacado por Flávio como aliado indireto de Lula | Usou o debate para se diferenciar, sem parecer linha auxiliar de outro polo |
| Renan · Missão | Chegou a 4% nos dois institutos, com 1,22 milhão via financiamento coletivo e forte organização digital. O discurso sobre “tingir o chão de sangue” abriu questionamentos constitucionais | Tentou converter provocação em proposta compreensível |
| Zema · Novo | Declarou 2,7 milhões em receitas e manteve presença digital de alto compartilhamento. Oscilou entre 3% e 4%; o jingle com IA reforçou o antipetismo radical | Precisa apresentar proposta econômica concreta, além do confronto com o STF |
| Augusto Cury | Participou das sabatinas, terá propaganda na TV e marcou 2% no Datafolha. Baixa presença noticiosa e digital até aqui | Buscou reconhecimento pessoal; a conversão exige posicionamento mais claro |
| Samara · UP | Única mulher e uma das candidaturas negras na disputa. Agenda coerente em universidades e atos por moradia, com recursos e cobertura muito limitados | Não participou do debate; aposta em autoridade temática e organização de base |
Sem os dois líderes no palco, o debate da Band funcionou como vitrine para os quatro concorrentes que ainda buscam espaço, cada um tentando arrancar pontos nas pesquisas seguintes a partir da estratégia já em curso na semana — mas nenhum teve, na noite, a exposição necessária para alterar o eixo da disputa, que segue concentrado em Lula e Flávio. O ganho está menos no resultado imediato e mais na produção de material capaz de sustentar crescimento nas próximas semanas.
O mesmo resultado interessa a Lula e Flávio, que decidiram não comparecer: se o debate produzir movimento nas pesquisas seguintes, as duas campanhas ganham argumento para revisar a estratégia de evitar confrontos com o restante do campo; se a disputa entre os líderes permanecer estável, o padrão de evitar debates deve se repetir no restante do calendário.
Avaliação do debate
Nula para o confronto principal: como Lula e Flávio não participaram, o debate não produz vencedor nem perdedor entre os dois líderes, apenas o aproveitamento dos quatro presentes. Vale observar: busca pelo nome dos participantes, variação de voto na rodada seguinte e o tom dos líderes sobre a própria ausência.
04 · Caixa de ferramentas
Como saber se a atenção virou tráfego e apoio
O acompanhamento semanal precisa separar voto, atenção e conversão. O primeiro bloco reúne intenção de voto, rejeição e avaliação de governo dentro da série de cada instituto. O segundo mede o interesse público por meio de menções, buscas e cobertura jornalística. O terceiro observa o que aconteceu nos canais próprios, considerando alcance, retenção, cliques, inscrições, crescimento líquido e participação nas comunidades. A campanha só aprende quando compara métricas equivalentes, produzidas na mesma janela e com a mesma metodologia.
2
Pesquisas nacionais na janela
3
Arenas digitais monitoradas
7
Dias por ciclo de leitura
Roteiro de aplicação
| Etapa | Como aplicar |
|---|---|
| 1 · Voto | Registre instituto, campo, amostra, método e margem. Compare tendência somente dentro da mesma série |
| 2 · Atenção | Separe volume de menções, sentimento e interesse de busca. Um pico pode ser positivo, negativo ou apenas episódico |
| 3 · Conversão | Use dados proprietários para saber se a atenção trouxe seguidores qualificados, visualizações completas, cliques e cadastros |
Tráfego orgânico em quatro camadas
| Camada | O que observar |
|---|---|
| Descoberta | Buscas pelo nome, visualizações vindas de recomendações e alcance entre pessoas que ainda não seguem o perfil |
| Interesse | Tempo de visualização, leitura dos carrosséis, visitas ao perfil e retorno ao conteúdo publicado |
| Ação | Compartilhamentos, cliques, entradas em grupos, inscrições, mensagens e downloads |
| Permanência | Crescimento líquido, recorrência de audiência e participação contínua nas comunidades da campanha |
Nota da redação
Na próxima semana, a pergunta mais importante será saber se a exposição trouxe pessoas novas para perto da campanha ou apenas aumentou o barulho dentro das bases já mobilizadas. Lula e Flávio devem observar se as entrevistas ampliam apoio entre os não alinhados ou circulam apenas entre quem já escolheu um lado.
05 · Melhor e pior da semana
Lula venceu a largada da atenção, Flávio estreitou a vantagem e radicalizou o tom
Melhor momento · Comunicação — nota 3/3
Lula e a sequência territorial da primeira semana. O lançamento em São Bernardo recuperou sua origem política. Natal associou governo, tecnologia e desenvolvimento regional. Minas e Rio conectaram a campanha presidencial aos palanques estaduais, formando uma linha compreensível entre biografia, entregas e disputa eleitoral nos territórios decisivos.
Pior momento · Comunicação — pangaré
Flávio Bolsonaro e a escalada verbal sobre segurança. A frase de que criminosos seriam retirados de circulação “em pé ou deitados”, no dia 22, devolveu o candidato ao repertório mais agressivo do bolsonarismo. O gesto pode mobilizar a base, mas dificulta a tentativa de ampliar alianças e construir uma imagem moderada para o segundo turno.
Critério. A avaliação considera clareza de narrativa, adequação de palco, capacidade de repercussão e potencial de ampliar apoio. O selo dos cavalinhos julga o lance de comunicação da semana, nunca a candidatura como um todo.
A distância entre o melhor e o pior momento da semana resume o desafio de cada campanha. Lula converteu disciplina de agenda em vantagem comunicacional, sem depender de um único evento espetacular. Flávio obteve avanço real nas pesquisas, mas colocou nas próprias mãos o principal obstáculo para consolidar esse crescimento fora da base já conquistada. Nenhuma das duas fragilidades é definitiva; ambas exigem correção deliberada nas próximas semanas.
Por que Lula
A agenda formou uma sequência nacional compreensível e conectou biografia, governo, alianças estaduais e territórios decisivos. Nenhuma outra candidatura reuniu tantas dimensões numa mesma linha de comunicação durante a semana.
Por que Flávio
O candidato avançou nas pesquisas e ocupou ambientes favoráveis, mas a escalada verbal sobre segurança estreitou sua capacidade de falar com eleitoras e moderados — ruído que contraria o esforço de apresentar uma candidatura preparada para ampliar alianças.
Menção da semana
Caiado, Renan, Zema e Augusto Cury compareceram ao debate da Band e garantiram presença numa vitrine que Lula e Flávio evitaram. O mérito está na disposição para o confronto; o teste real chega agora, nas pesquisas seguintes, que vão dizer se essa exposição extra realmente moveu algum ponteiro.
06 · O tom da semana
A campanha começou com dois polos e uma disputa por quem define o assunto
A semana terminou com Lula na frente e Flávio Bolsonaro mais perto. Para nós, esse é o ponto que organiza todo o restante: a liderança continua nas mãos do presidente, mas a distância já não autoriza uma campanha acomodada. Flávio, por sua vez, ganhou competitividade sem resolver os limites que aparecem entre as mulheres, os católicos, os eleitores de baixa renda e o Nordeste.
As agendas revelaram que as duas campanhas compreenderam a geografia da disputa. Lula percorreu o Nordeste e os três maiores colégios eleitorais — foi aos lugares em que precisa defender uma vantagem, reduzir uma derrota ou fortalecer um palanque. Flávio concentrou energia no Rio e em São Paulo, combinando bolsonarismo, segurança, periferia e agronegócio: protegeu o terreno em que já é forte, embora ainda mostre pouco sobre como pretende crescer fora dele. A essa disputa territorial soma-se agora uma mudança regulatória que reduz o alcance orgânico das campanhas nas redes, um fator que deve pesar mais nas próximas semanas do que nesta primeira rodada.
O debate da Band, disputado sem Lula e Flávio, funcionou como vitrine para quem ainda corre atrás de espaço. Caiado, Renan, Zema e Augusto Cury usaram a noite para se posicionar diante de um público maior do que o de costume e buscar um degrau a mais nas pesquisas seguintes. Para nós, o episódio interessa menos pelo que decidiu e mais pelo que vai provocar: as campanhas de Lula e Flávio devem observar de perto as próximas rodadas para decidir se evitar debates continua sendo a escolha certa daqui para frente.
A televisão ganha importância nos próximos dias com as entrevistas exibidas após o Jornal Nacional. Ali, os dois líderes estarão diante de uma audiência ampla e de perguntas individualizadas. Cada resposta pode nascer na TV, ganhar novo sentido nos cortes e permanecer circulando por vários dias. A campanha entrou numa fase em que agenda, pesquisa e rede já não caminham separadas — quem conseguir ligar as três dimensões terá mais condições de definir o assunto da próxima semana.
A redação · A Iskra
Expediente
Expediente e fontes
Sobre esta edição
Produção. Troika Marketing. Pesquisa, sistematização e interpretação editorial para A Iskra.
Período coberto. 17 a 23 de agosto de 2026, incluindo a cobertura do debate da Band, realizado no fim de semana. Esta edição analisa o desempenho dos quatro participantes e o efeito esperado sobre as candidaturas menores; o impacto do episódio sobre a estratégia de Lula e Flávio de evitar debates só poderá ser confirmado pelas pesquisas da próxima rodada. A análise prospectiva considera as entrevistas televisivas programadas entre 24 e 29 de agosto.
Pesquisas eleitorais. BTG/Nexus, 10ª rodada, publicada em 17 de agosto, registro BR-03317/2026. Datafolha, publicada em 21 de agosto, registro BR-04496/2026, encomendada por Folha de S.Paulo e TV Globo. A comparação preserva as diferenças de método, amostra e período de campo entre os levantamentos.
Fontes digitais e jornalísticas. Nexus/FSB, Datafolha e Folha de S.Paulo, UOL, CNN Brasil e Vox Radar, Instituto Democracia em Xeque com dados Talkwalker, Agência Pública, CartaCapital, TVT News, Rede Globo, g1, Globoplay e Jornal Nacional, instituto Palver, Metrópoles, R7, agendas oficiais das campanhas e TSE DivulgaCand. A apuração digital considera métricas publicadas por fontes identificadas, sem estimar dados internos das campanhas.
Fontes principais
- BTG e Nexus · pesquisa nacional publicada em 17 de agosto
- Folha de S.Paulo e Datafolha · pesquisa nacional publicada em 21 de agosto
- TVT News · agenda de Lula em São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas e Rio
- UOL · recorte das pesquisas entre as mulheres
- CNN Brasil e Vox Radar · repercussão digital do caso Lulinha
- UOL · repercussão de Lulinha e Dark Horse nas redes
- Band · regras, participantes e cobertura do debate presidencial
- R7 · agenda dos candidatos e ausência dos líderes no dia 23
- Marcello Natale · alcance orgânico e distribuição algorítmica nas eleições de 2026
- Metrópoles e Demétrio Vecchioli · testes de recomendação de perfis oficiais no início da campanha
Nota de responsabilidade
Os resultados eleitorais desta edição reproduzem os dados divulgados pelos institutos. Oscilações dentro da margem de erro exigem cautela quando analisadas isoladamente. As comparações temporais respeitam a série de cada instituto. Menções digitais medem atenção e podem reunir apoio, crítica, ironia e circulação jornalística, nunca voto confirmado. Resultados de pesquisa pertencem aos respectivos institutos; médias, classificações e leituras estratégicas são elaborações próprias desta edição.
Base numérica e contexto editorial atualizados em 24 de agosto de 2026. Os resultados representam a fotografia dos períodos de campo informados por cada instituto.
Expediente editorial
Publicação: A ISKRA, newsletter de comunicação política. Produção e edição: Troika Marketing. Edição: Volume 2. Período analisado: 17 a 23 de agosto de 2026. Publicação: 24 de agosto de 2026.
Análise, sistematização, cálculo e interpretação editorial produzidos pela equipe da Troika Marketing para a ISKRA. Os resultados de pesquisa pertencem aos respectivos institutos, as médias, classificações e leituras estratégicas são elaboração própria desta edição.
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